22 de Junho de 2009

A casa onde vivemos 2

A nossa nova vida merece um novo blog
A Casa Onde Vivemos 2
... a seguir para continuar uma caminhada feita em conjuntoA porta está sempre aberta :-)

isabelle e paulo

4 de Junho de 2009

As Deusas do Rio saudam outras Deusas...

Um passeio imprevisto nos levou ao fim da tarde perto do rio.Todo o inverno, a deusa tinha tomado conta das bermas geladas do rio, sonolentas e cobertas por um espesso manto de neve, mas na primavera, algo ou alguém a tinha deitado abaixo... porquê? não sei.Na paisagem primaveril que emergia aos poucos, depois do degelo, tinha sentido a sua ausência ... três meses sem a ver, sem saber se um dia voltaria.

Chegamos ao pé da cascata, onde antes era possível aproximar-se da deusa; o meu olhar dirigiu-se para o rochedo, chamando por ela e...
Vi-a de novo, mais bela, mais alta, mais impertinente no seu desafio as leis do equilíbrio, mais Deusa do que nunca.
Depois de algum tempo, ela nos convidou a continuar o passeio... e quando chegamos à "praia", onde o bosque se abre para o rio, parámos, encantados pela vista insólita que esperava quem por cá passasse.Dezenas de pequenas deusas contemplavam a água, o sol, as ervas, as flores... e olhavam para nós. O tempo desvaneceu e ficamos là, como crianças, respirando a alegria do lugar, deslumbrados por essas maravilhas, testemunhas do tempo, das forças da Terra, das caricias da água, das transformaçoes do Universo.
E durante todo esse tempo, senti-me profundamente ligada à quem criou essas esculturas de pedras, às outras pessoas que cà vivem e que nao conheço mas que deixam marcas das deusas que vivem dentro delas... para outras ver, tocar, sentir e reencontrar o que de mais profundo existe nelas.
Diaporama do passeio...

31 de Maio de 2009

Mensagem para a Hazel e para quem està a espera de noticias... que nunca chegam

Foi uma decisão que tomamos a dois mas que tocou todos aqueles que acompanharam este blog, ou, como a Hazel, que o descobriu há pouco tempo e que está a espera de noticias há um mês :-)

Como as ultimas fotos (e posts) mostram, estamos agora a viver na Suíça e aqui, a nossa vida orientou-se para um caminho mais tradicional do que vivemos até agora, na Quinta das Rosas, em Estremoz ou no Caminho de Santiago.
Hoje em dia, as nossas actividades "do corpo e do espírito" envolvem passeios nas montanhas, sem outro objectivo senão andar e observar a beleza do mundo, "apenas" pelo puro encanto e magia dos lugares.
... e porque nunca parei de tirar fotografias, que não cabem todas num blog, resolvi transformar-me em contador "visual" dos passeios, das pequenas viagens, dos caminhos que fazemos...
O que há de bom aqui, no pais onde vivemos, é que fazemos um passo fora de casa e estamos logo no meio de um bosque, num caminho de montanha, ou perto do rio, a subir ou a descer uma encosta, no meio das vacas :-))
Nunca pensei que a Suíça tivesse tanto para me oferecer, a cada passo, em cada momento do dia, do ano.

Por enquanto, as fotos esperam no Picasa-isabelle , a visita de quem quer descansar um pouco da sua vida atarefada... visitar novos sítios, conhecer pequenos paraísos... diferentes daqueles que imaginamos tradicionalmente .
(as legendas, quando aparecem, estão em francês porque a ideia inicial era de partilhar os álbuns com a minha irmã).
Talvez mais tarde, haverá um site em português, mais completo... quem sabe :-)
Aqui, encontrarão a noticia da sua publicação e endereço.

De momento, é o que ofereço, então boa viagem e obrigado pela visita.


28 de Março de 2009

Earth Hour

Juntos, fazemos a diferença.
Hoje a noite, entre as 8:30 e as 9:30, apaga todas as luzes de casa e junta-te ao mundo, neste gesto de amor e de respeito para com a Terra.

... Ela agradece



6 de Março de 2009

no Pais do chocolate... branco

Neva há três dias mas como não faz frio suficiente, o que cai durante o dia e a noite não fica.
A paisagem continua bonita, quase a preto e branco…
(parece que estou a me contradizer, mas aqui, no pais do chocolate, já percebemos que são necessárias varias condições para que a magia da neve aconteça; pode cair imensa neve durante a noite, mas se no dia seguinte faz sol e pouco frio, uma grande parte derrete... quando todas as condições são reunidas, e só Deus sabe quais são... acontece o maravilhoso!)Hoje, o cenário começou por ser igual aos outros dias; nevou a manhã toda mas depois do almoço, a temperatura baixou e pouco depois, o tempo começou a abrir…
O sol já espreitava e ainda nevava, ao mesmo tempo.
E de repente, como se o sol estivesse farto de não ser visto há vários dias, o céu ficou todo azul e uma luz forte e brilhante revelou a paisagem a nossa volta…Em poucos minutos estávamos na rua, para um passeio inesperado e inesquecível.
Há momentos assim em que o melhor encenador não poderia imaginar melhor… momentos quando tudo se combina para nos mostrar como o mundo é lindo, surpreendente, mágico… momentos que devíamos aproveitar assim, sem pedir licença a ninguém… só para nos deliciarmos com a natureza efémera das coisas.

O Paulo mergulhou na neve, nadou neste vasto oceano branco, abriu caminho nos campos virgens…e eu fartei-me de rir das suas tolices!



… o mais bonito fica para ver e apreciar nestas fotos, sem mais outros comentários…



5 de Março de 2009

Sobe, sobe, balão sobe…

Vindos do rio gelado, chegamos ao topo do caminho um pouco ofegantes e o nosso olhar abraçou todo o vale;aí, aconchegados uns contra os outros, os balões pareciam não puderem conter-se mais… e os primeiros levantaram voo… soltos e alegres, levados pelo vento… fantásticos, lindos…
Durante a última semana de Janeiro, os céus de Château d'Oex enchem-se de cores… e de balões de ar quente. Esta pequena vila suiça onde agora vivemos é de facto, a capital mundial dos balões e todos os anos desde 1978, acontece um festival muito colorido e festivo, que deixa toda a gente de boca aberta e feliz.
Porém este ano, as previsões meteorológicas não eram das melhores e no primeiro dia, os voos foram cancelados devido a neve que caia com bastante força.
No dia seguinte, contra todas as previsões, o tempo mudou subitamente e a magia começou.

O resto da semana, deliciei-me com um espectáculo mágico, surpreendente, irreal e pouco comum.
De todos os tamanhos e formas, cores e patrocinadores, os balões encheram a paisagem, aparecendo às vezes nos lugares mais inesperados, como estes que fizeram uma aterragem forçada em frente a casa onde vivemos…

bem, parece que num voo de balão, a aterragem é quase sempre forçada… vai até onde o vento o leva… e quando o vento pára ou que as correntes de ar mudam, o balão desce… desce… e toca no que estiver ali…

Vai ser estranho agora olhar para o céu e não ouvir o sopro forte do gás e da chama imensa que aquece o balão, e ver um pato, uma tartaruga ou uma tela multicolorida passar por cima de nós, rumo a uns horizontes longíquos…

Sobre o blog

Foi escrevendo estes 2 post (e os próximos) ao longo dos últimos meses, mesmo não tendo computador nem internet. Foi uma maneira de guardar uma ligação com Portugal e com todos aqueles que fazem parte de nós.

Relendo o que escrevi, vejo que a maior parte do tempo falo apenas das coisas boas... deixando de lado a parte que nos faz cair na neura, no medo... etc.

Contudo esse lado tem sido um desafio constante para nós e para muita gente à nossa volta....

Às vezes, sentimo-nos tão instáveis que temos que dar as mãos ou abraçarmo-nos em silencio; e neste abraço que temos a sorte de poder partilhar um com o outro, incluímos todos aqueles que conhecemos e que se sentem sozinhos... muito sozinhos.
O que fazer, o que dizer?

Para mim, viver na Suíça não é mais ou menos fácil do que viver em Portugal; os desafios são outros, apenas...
Significa que estamos arrependidos de ter vindo cá?

Observo a pergunta e tento sentir se ela me traz respostas sobre mim mesma ou angustias em relação ao presente... e ao futuro... o resto não importa.

isabelle

2 de Março de 2009

O Rio

Uma seta indica o caminho da Cascata do Ramaclé, a 20 minutos. Viramos então a direita e para baixo para iniciar a descida.Tudo está silencioso e a neve caída durante a noite abafa e envolve qualquer barulho. Só se ouve o "crrr… crrr…" das nossas botas na neve.
O Paulo vai em frente; ele já conhece bem a descida e aponta para o declive, entre as árvores. Diz-me para ter cuidado, não me apressar. De vez em quando uma árvore aparece marcada com uma seta amarela que me faz lembrar o caminho.
A medida que descemos, o ar fica mais frio, mais humido, mais cortante. As minhas orelhas sentem o assalto do frio e as pontas do meu cabelo ficam esbranquiçadas; hoje, os 13 graus negativos mordem cada celula exposta do nosso corpo como para dizer que por aqui, só se aventuram os mais atrevidos.

Depois de caminhar entre as árvores cujos ramos se curvam até ao chão com o peso da neve, Paulo diz que estamos quase a chegar, que já se pode ouvir o barulho estrondoso da água a cair dos seus 10 metros… ele pára, escuta e percebe que não se ouve mais nada do que a água do rio a correr… tranquila…
-"Alguém fechou a torneira", gozo então com ele…
Por cima das águas do rio, uma núven de condensação pairada…
Alguns ramos ficaram presos nas garras do gelo que aos poucos encerra com uma força violenta e irresistível qualquer um que se atreve a medir forças com o poder da água e do gelo, combinados.
Finalmente chegamos, quando o trilho acaba abruptamente em frente a cascata…
Faltam-me as palavras… a água não corre… a água está em suspenso… a cascata espumante de ontem transformou-se, como capturada no seu movimento pelas incantações de um grande mágico, mestre do tempo e das estações e que, da sua varinha mágica tornou a força tumultuosa da água a cair numa escultura admirável de gelo, cujos pormenores repetem-se como nos fractais.Lá onde a água corria para o rio, formaram-se pregas de gelo, marcando a sua determinação de continuar nesta direcção, quando o tempo estiver propicio para isso…
Aproximo-me e acaricio a cascata… Ficamos ali parados no tempo e no frio, a olhar para este espectáculo fabuloso que nos oferece a Natureza.
Ao fim de um tempo sem fim, continuamos o nosso caminho, caminhando agora sobre a cascata que se tornou "transitável", tocados pela magia dos lugares, humildes perante a grandeza e a força dos elementos a nossa volta.

28 de Fevereiro de 2009

Regresso ao blog

Depois de tanto tempo de ausência, sinto-me… enferrujada mas muito feliz de poder escrever neste blog … tenho muitas coisas para contar, fotos para mostrar, muitos beijinhos e noticias para dar e também saudades para partilhar.

Em Dezembro 2008, pouco antes do Natal, Paulo e eu reencontrámo-nos aqui, no Pays d'EnHaut (o País de Cima) nos pré Alpes suíços.

A primeira palavra que me vem à mente para falar deste País de Cima é Natureza…. depois… frio, sol, branco, neve, gelo, rio, montanhas, chalés, balões, caminhar, subir, descer… caminhar mais, cada vez mais, sempre.


Tal como os caminhos das montanhas, os meus primeiros dias foram tortuosos, feitos de altos e baixos, a tentar perceber o que tinha vindo cá fazer, além de reencontrar o meu bem-amado ☺ Assustei-me com a minha falta repentina de adaptação, eu que nunca tive este problema, em todos os lugares onde já vivi.

Sentia a montanha me circundar e dizer-me "Daqui não sais sem encontrares uma maneira sustentável de viver"…. bater o pé, angustiar-me, me lamentar não serviram de nada; no pequeno chalé bem aquecido onde vivemos provisoriamente, olhava para fora, para as pistas de skis e sentia-me posta de lado das actividades do quotidiano, da vida das montanhas… forasteira, longe do mar e dos oceanos que sempre foram o panorama dos meus dias. Não havia saudades, apenas uma pergunta "Agora que estou cá, o que é que vou fazer?"
Foram muitos os momentos de dúvidas, de angústia… e foram muitas as conversas em que incansavelmente ia buscar as memórias de um passado recente para procurar nelas ideias de felicidades.
Mas nada é permanente… tudo muda… e o passado não volta mais.

Os primeiros passeios com o Paulo deixaram-me com uma sensação de desmesura, que aos poucos passou a respeito e finalmente gratificaram-me com uma plenitude total, uma grandeza recebida em plena cara, uma força brutal feita de frio, de sol, de gelo e sobretudo de silencio.
Aqui, no cimo de uma montanha, ouve-se o silencio do silencio… e não há palavras, só a própria experiencia.

Como também não há palavras para explicar este pais… Aqui, fui obrigada a largar tudo o que dantes tinha como garantido; coisas simples do quotidiano como lojas abertas o dia todo e até tarde à noite, sete dias por semana, produtos e preços variados para todos os bolsos, acesso a um computador e a Internet nas bibliotecas, custo económico das chamadas de telemóveis, uma ligação ao mundo… tudo isso desapareceu, de repente e vi-me confrontada com a sensação de ter voltado para trás no tempo… e ser possível fumar em locais públicos reenforçou esta sensação… novamente, o fumo dos cigarros em espaços fechados… que coisa tão estranha!

Depois, segui o conselho do Paulo que me dizia "Deixa-te levar pelo Espírito da Natureza; aqui, é o que há de mais forte, de mais poderoso…"
Aqui, a Natureza manda em nós de uma maneira mágica, às vezes com uma beleza extraordinária, outras vezes com um poder tão absoluto que impõe o respeito.

Que seja a neve a cair e cobrir de branco os bosques e os Alpages (colinas verdejantes onde as vacas passam o verão), o frio intenso que solidifica as quedas de água e as águas dos rios, as paisagens de sonho - chalés com telhados cobertos de uma espessa camada de neve, estalactites penduradas como cristais dos telhados - os passeios ao luar nos terrenos abertos e brancos que brilham como campos de diamantes, as pegadas das raposas na neve, o calor do sol reflectido na neve…


Entrei em contacto com tudo isso… lentamente, inevitavelmente e deixei a magia operar-se dentro de mim…Viver aqui é um novo caminho e uma nova maneira de caminhar; aceito ser surpreendida pelo que a Natureza tem para me mostrar, me dizer, me oferecer.


... isabelle