Depois de tanto tempo de ausência, sinto-me… enferrujada mas muito feliz de poder escrever neste blog … tenho muitas coisas para contar, fotos para mostrar, muitos beijinhos e noticias para dar e também saudades para partilhar.
Em Dezembro 2008, pouco antes do Natal, Paulo e eu reencontrámo-nos aqui, no Pays d'EnHaut (o País de Cima) nos pré Alpes suíços.
A primeira palavra que me vem à mente para falar deste País de Cima é Natureza…. depois… frio, sol, branco, neve, gelo, rio, montanhas, chalés, balões, caminhar, subir, descer… caminhar mais, cada vez mais, sempre.

Tal como os caminhos das montanhas, os meus primeiros dias foram tortuosos, feitos de altos e baixos, a tentar perceber o que tinha vindo cá fazer, além de reencontrar o meu bem-amado ☺ Assustei-me com a minha falta repentina de adaptação, eu que nunca tive este problema, em todos os lugares onde já vivi.

Sentia a montanha me circundar e dizer-me "Daqui não sais sem encontrares uma maneira sustentável de viver"…. bater o pé, angustiar-me, me lamentar não serviram de nada; no pequeno chalé bem aquecido onde vivemos provisoriamente, olhava para fora, para as pistas de skis e sentia-me posta de lado das actividades do quotidiano, da vida das montanhas… forasteira, longe do mar e dos oceanos que sempre foram o panorama dos meus dias. Não havia saudades, apenas uma pergunta "Agora que estou cá, o que é que vou fazer?"
Foram muitos os momentos de dúvidas, de angústia… e foram muitas as conversas em que incansavelmente ia buscar as memórias de um passado recente para procurar nelas ideias de felicidades.
Mas nada é permanente… tudo muda… e o passado não volta mais.

Os primeiros passeios com o Paulo deixaram-me com uma sensação de desmesura, que aos poucos passou a respeito e finalmente gratificaram-me com uma plenitude total, uma grandeza recebida em plena cara, uma força brutal feita de frio, de sol, de gelo e sobretudo de silencio.
Aqui, no cimo de uma montanha, ouve-se o silencio do silencio… e não há palavras, só a própria experiencia.

Como também não há palavras para explicar este pais… Aqui, fui obrigada a largar tudo o que dantes tinha como garantido; coisas simples do quotidiano como lojas abertas o dia todo e até tarde à noite, sete dias por semana, produtos e preços variados para todos os bolsos, acesso a um computador e a Internet nas bibliotecas, custo económico das chamadas de telemóveis, uma ligação ao mundo… tudo isso desapareceu, de repente e vi-me confrontada com a sensação de ter voltado para trás no tempo… e ser possível fumar em locais públicos reenforçou esta sensação… novamente, o fumo dos cigarros em espaços fechados… que coisa tão estranha!

Depois, segui o conselho do Paulo que me dizia "Deixa-te levar pelo Espírito da Natureza; aqui, é o que há de mais forte, de mais poderoso…"
Aqui, a Natureza manda em nós de uma maneira mágica, às vezes com uma beleza extraordinária, outras vezes com um poder tão absoluto que impõe o respeito.

Que seja a neve a cair e cobrir de branco os bosques e os Alpages (colinas verdejantes onde as vacas passam o verão), o frio intenso que solidifica as quedas de água e as águas dos rios, as paisagens de sonho - chalés com telhados cobertos de uma espessa camada de neve, estalactites penduradas como cristais dos telhados - os passeios ao luar nos terrenos abertos e brancos que brilham como campos de diamantes, as pegadas das raposas na neve, o calor do sol reflectido na neve…

Entrei em contacto com tudo isso… lentamente, inevitavelmente e deixei a magia operar-se dentro de mim…

Viver aqui é um novo caminho e uma nova maneira de caminhar; aceito ser surpreendida pelo que a Natureza tem para me mostrar, me dizer, me oferecer.

... isabelle